Cap 45- Se afogar
 No colégio Marina lê uma revista no sofá da sala de estar. Já havia tocado o sino, mas ela continua ali sem sono. Tem pensamentos que não param de dançar em sua mente. Mas como ficar só não era algo muito comum dentro daquele internato, logo Pilar se aproxima.
-Eu tenho que falar com você!
 Marina olha tranquilamente para a expressão amedrontada da garota.
-Eu também tenho que falar com você. Já sabe?
-Do que?
-Já temos mais dois integrantes para nosso clubinho. -Ela sorri simpática.
-Como assim?
-Ai, você é lerda!
 Pilar contém a raiva.
-Não lembra que eu disse que precisaríamos de mais 3 pessoas? Então o João e a Vitória entraram no plano...
-Como convenceu eles? -Pilar fica impressionada com a maneira como Marina conseguia tudo o que queria.
-O João gosta de mim e a Vitória morre de inveja dos rebeldes.... Foi fácil...
-Mas manter eles vai ser difícil...
-Vai nada querida! Depois que estiverem dentro, terão o mesmo medo e a mesma culpa que você tem, daí não terão coragem de sair...
-Você não vale nada! Você quase matou a Roberta!
-Ei! -A garota se altera. -Cala essa boca! O que aconteceu foi azar dela! -Marina pensa melhor e ri. -Ou sorte minha né?!
-Você...
 Neste instante Jonas chega com um jeito tenso. Esfrega as mãos com ansiedade, parece que tem algo a dizer.
-Pai... -Pilar se direciona a ele.
-Eu preciso falar com a sua colega à sós...
-Pode falar seu Jonas, seja o que for, ela é minha amiga... -Marina olha para Pilar com um cinismo impressionante.
-Eu tenho que te avisar de uma coisa e quero que fique tranquila porque já está tudo bem.
-Do que o senhor está falando?
-O seu pai passou mal, teve um derrame e está internado.
 A garota não se move.
-Mas ele está bem, está sendo muito bem atendido. A assessora dele veio te buscar para você ir vê-lo.
-Eu não vou... -Ela abaixa a cabeça e diz como se falasse sozinha.
-Não vai? Não quer ver o seu pai?
-Não quero! Não quero ir em hospital algum, eu não gosto de hospital!
-Mas ele é seu...
-Meu pai! Eu sei! Mas ninguém me obriga a fazer o que não quero! O senhor disse que ele está bem, eu não sou médica e nem sou enfermeira, então ele não precisa de mim.
 Marina encara o diretor e em seguida sobe as escadas correndo. Deixa na sala duas pessoas abismadas com tamanha frieza.
-Eu não sabia que ela era assim minha filha!
-O senhor não viu nada... -Pilar fala demais.
-Como assim?
-Nada... Ela deve ter ficado assustada, é melhor o senhor dispensar a assessora pra gente poder dormir que já é muito tarde pai.
-Tem razão. -Jonas dá o braço a filha e os dois seguem para casa. Pilar se sente ainda mais assustada com Marina, conhecê-la é um susto diário. Como podia ser tão desumana?


 Tem coisas que a gente não sabe o valor que tem, nem o tanto que vale. É preciso ver a água escapar por entre os dedos para perceber que não temos poder sobre nada, nem sobre o que nos dá vida. Seria mais que necessário dar valor ao perecível, as coisas que a gente tem por tão pouco tempo e que são eternas.

A noite estava acabando e os casais estavam apenas começando o passeio.
-Onde a gente vai? -Carla caminha pela cidade, de mãos dadas com Tomás, ainda alucinada com o show e com a conquista do campeonato.
-A gente vai aproveitar a noite ué!
-Mais?
-Claro, somos só nós dois... A gente não tem isso todo o tempo!
-Verdade... O Pedro e a Alice estão onde?
-Foram dançar... Coisa dela...
-Imaginei... -Ela balança as mãos unidas. -Será que voltam cedo?
-Porque? -Ele acha estranho que ela se importe.
-Ah... -Ela tenta disfarçar. -Porque eu não quero ser a única a voltar de madrugada...
-Não vai... Com tudo que a Alice disse que ia mostrar da cidade pro Pedro, eu duvido que eles voltem cedo.  Talvez nem voltem! Ao tamanho de São Paulo!
-Seu bobo! -Carla ri do jeito dele. -É... Mas pra Alice dizer que tá "moooorta" e pedir pra voltar pro hotel, basta um piscar de olhos!
-Eu sei, mas chega de falar deles, vamos ao que interessa... -Tomás chega junto e a beija. Não estava disposto a perder tempo falando de outras pessoas, enquanto a única que lhe interessava estava bem a sua frente.
 Todos os casais tinham algo que os prendia na dupla que o coração fazia com o tempo curto.

 Assim a noite bonita da cidade deixava com que todos pudessem escolher seus momentos e suas vontades por algumas horas. Não bastaria ao céu somente o silêncio das estrelas radiantes, precisaria de relâmpagos inesperados e tensos que assustassem e deixassem disparados os corações.

 Ele tinha o escuro, a vida e cada centímetro do seu ser instável. Frente à Roberta e sentado sobre a cama, Diego deixa a mão leve sobre o joelho dela enquanto se beijam. A maneira como tudo evolui rapidamente e em tão alta temperatura, faz com que se deixem levar por palavras que simplesmente surgem sem filtrar.
 Ele quase cerra os olhos nos dela enquanto cochicha muito de perto a contemplá-la.
-Você está linda...
  Uma pausa é dada no silêncio do sorriso deles.
-É felicidade... -Ela também fala em voz baixa.
-Você estar bem me deixa muito feliz...
-"Estar bem"? -Roberta se afasta e os olhos se abrem começando a se distanciar do clima em que estavam.
-É... -Diego ainda é calmo e explica. -Normal...
 Roberta se surpreende mas se mantém muito serena.
-Por que? ...Eu não estava normal...?
-Ah... A gente não tava falando disso... -Diego tenta lhe dar um beijo mas ela se levanta intrigada.
-Você ainda duvida que eu tava falando a verdade?
 Tudo se desfaz, a vida dá uma reviravolta inesperada e acaba com o sonho dos dois.
-Roberta, as cenas em que eu te vi, você estava muito estranha, de verdade! Me assustou! Agora tô feliz de ver que você tá bem, que deixou toda aquela tensão pra trás, aquela perturbação, só isso!
-Não acredito. -Roberta sente a mágoa se instalar saindo da frente de Diego rapidamente e atravessando a porta que dá ao corredor.
-Roberta, espera!
 Na velocidade da raiva em que ela entra no elevador, Diego não consegue alcançá-la. Uma correria se inicia pelo mesmo caminho que haviam vindo, e ele ainda tinha o ar impregnado pelo aroma dos beijos dos dois.
 O rebelde ao descer só guarda uma certeza, e é a de que fariam as pazes na mesma velocidade com que haviam se desentendido. Não suportava estar brigado com ela. E isso seria antes do dia clarear...
 Diego chega ao andar de baixo após pegar o segundo elevador e a vê andando ansiosa, com pisadas firmes a uns 6 metros à sua frente, sem lhe dar nenhuma resposta.
 Ela caminha e para onde está indo, nem ela mesma sabe. Segue para fora, para a área de lazer do hotel, onde a escuridão toma conta dos olhos perdidos aquela altura da noite.
 Os trovões anunciam um temporal que Roberta nem percebe. Ela atravessa o pátio e a grama do jardim de cara amarrada, totalmente sem saber o que pensar. Sentia raiva, já não queria tentar explicar, queria que Diego tivesse confiado cegamente no que dizia. Afinal é o que fazem os namorados não é? ... Não, não é... Mas nesse momento ela pensa que sim.
 Diego chega até lá cansado, observa as cadeiras desorganizadas, as poucas pessoas que se retiram e também a piscina circular e azulada mais a frente, mas não a vê. A chuva começa a cair forte e os pingos pesados sobre suas costas e sua cabeça, praticamente não o deixam ver por onde Roberta vai. Ela para logo a frente sem saber se volta ou prossegue, a chuva está muito forte e os trovões começam a mexer com o medo que todos guardamos em algum lugar.
-Roberta! -Diego grita enquanto corre pela borda da piscina.
 A namorada observa seus passos rápidos e vê algo que rapidamente faz seu coração disparar. Nem é possível ouvir o barulho tremendo da queda de Diego, que em um tropeço vai parar dentro da piscina. A agua da chuva parece afogá-lo naquela bagunça de imagens.
-Diego! -Roberta se lembra e vê como em um filme. Era a mesma cena que havia protagonizado há pouquíssimo tempo no colégio.
 As batidas do coração são fortes, parecem rachar o peito enquanto ela corre a se atirar na água. Nem pensa que Diego nada muito melhor que ela, só teme que tenha se machucado no escorregão, que por sinal, havia sido feio e estivesse se afogando inconsciente.
 As braçadas que ela dá dentro da água ao seu encontro são desordenadas, a voz do chamado se perde no barulho da chuva, dos trovões e de tudo que os cerca naquela mistura dos sons exteriores, que apesar de tudo, eram ainda mais fracos que os interiores.
 -Diego! -Ela o abraça forte ao encontrá-lo. -Você está bem?!! -Roberta segura seu rosto enquanto a chuva bate sobre eles praticamente os afogando.
-Eu to bem... -Ele parece cansado e sem ar.
-Você está sangrando!
 Ele passa a mão sobre a testa enquanto nadam até a beira da piscina. Um pouco de sangue se mistura com a água e então nem é percebido por Diego.
 Eles saem encharcados e correm para a entrada. Ela segue agarrada em seu braço e ambos chegam até o elevador. A adrenalina é tanta, essa correria, esse vai e volta para o mesmo lugar, tudo faz com que se joguem dentro dele assim que a porta se abre.
 Sentados no chão, eles estão fervendo e ao mesmo tempo congelando nas roupas molhadas.
 Roberta só espera recuperar o ar e se vira sobre ele que se escora na parede do elevador.
-Tá doendo? -Elaencosta o dedo na ferida.
-Ai!
-Desculpa! -Roberta fica desesperada e Diego a olha. Os cabelos escorridos respingavam sobre suas pernas também molhadas.
-Tudo bem...
-A culpa foi minha eu não devia..
-Não... -Ele não a deixa acabar a frase, põe o foco nela e prossegue. -Foi um acidente e nem bati tão forte, foi só um arranhão.
 A expressão de Roberta demonstra agonia.
-Pensei que fosse se afogar!
-Não, eu nado muito bem!
 Roberta se atira sobre ele em um abraço apertado, que é aceito e correspondido na mesma intensidade. Seria eterno se a porta do elevador não os interrompesse ao se abrir.
 Ela entra aflita de mãos dadas com ele.
-No banheiro tem um quite de primeiros socorros, vem!
-Roberta, tá tudo bem não precisa...
 Eles entram, Diego é praticamente arrastado e ao perceber que sua opinião não conta, ele se senta na ponta da grande banheira da suíte e espera enquanto Roberta pega desajeitada, curativos e álcool 70.
 Lá fora a janela denuncia a chuva que escorre violenta pelos vidros e em grande volume. Os relâmpagos clareiam enquanto que os estrondos parecem ficar ainda mais fortes.
-Calma... -A rebelde vai com jeito e Diego só mexe um pouco a cabeça ao sentir a gaze úmida encostar no ferimento.
-Não precisa... -Ele insiste.
-Pronto, agora eu vou ligar a banheira pra você tomar um banho, se não vai ficar doente! Tá gelado! -Ela o ajuda a retira a blusa e perde brevemente a concentração. Ligeira ela se vira ainda falando. Diego segura sua mão antes que se afaste.
-Não está mais zangada?
 Ela reluta alguns segundos em responder, mas logo balança a cabeça lentamente em sinal negativo.
-Eu não consegui...
-Não conseguiu ficar zangada? -Ele se levanta e segura com uma das mãos o rosto molhado e assustado que Roberta lhe mostra.
-Não... Eu não consegui foi me imaginar sem você... Fiquei desesperada quando te vi cair e...
-Ei... Eu to aqui com você...
 Ele se aproxima e com as mãos em seu pescoço vai fazendo acontecer o beijo que conforme se encaixa, vai também fazendo as mãos abaixarem e arrastarem pelas costas molhadas sob o vestido. Ela está trêmula de frio, o que faz com que Diego mais a aperte.
 Ele havia colocado como certo uma coisa e tinha razão: A madrugada estava chegando e tão rápido quanto o desentendimento, viria uma bonita, apaixonante e terna reconciliação.


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20 Responses
  1. Perfeito demais, como sempre, parabéns Aline.


  2. Ariadne*-* Says:

    Ai adorei muito legal eu sempre adoro todos mesmo,agora em vezes de eu ficar ansiosa pro proximo eu queo que não chegue no cap.50,não joga esse blog fora que eu tenho certeza que foi com muito carinho e dedicação que vc criou ele, eu sei que vc é uma bela de uma escritora,mas faiz o que é melhor,mais saiba que vc é sensacional e mereçe o parabéns...


  3. Lê isso que fiz pra você meu amor ! e pensa bem em sua desição (: http://talkingtoluar.blogspot.com.br/2012/03/aline-fica.html


  4. Anônimo Says:

    Perfeito !,adorei mesmo amo a sua web! Beijo!;-)


  5. Anônimo Says:

    Capitulo 50 só :( Não faz mais!,Bom se não for também respeito sua opinião,mais vai ser uma grande perda sua web é a melhor que já li!


  6. Isabelle Says:

    Adorei amiga!!! parabens


  7. Anônimo Says:

    Lindoooo...Amei esse capítulo...


  8. Anônimo Says:

    Perfeito sempre *-* , faltam 5 capitulos gente vamo aproveitar cada palavra.


  9. Anônimo Says:

    Amei!!!
    li com muita tristeza por pensar que pode ser o fim, mas acima de tudo to aqui pra apoiar vc como amiga!!!!
    bjao Darly


  10. Anônimo Says:

    lindo amei
    por favor não exclui o blog
    ass:herica
    fão do seu blog


  11. Anônimo Says:

    Aiai... só me resta suspirar com mais um capítulo tão perfeito!! (Scheila)


  12. Anônimo Says:

    Amei esse capitulo! Aline, pf nao exclui o blog. Nao para no cap. 50 pf ><


  13. Anônimo Says:

    Amei o cap Aline voce escreve muito bem. Por favor nao exclui o blog, se voce ta com pouco tempo nos esperamos o tempo que voce tiver mesmo que seja so nos fins de semana.


  14. Anônimo Says:

    oi Aline!! é o meu primeiro comentario sobre sua web mas eu leio desde o comeÇo. Eu não quero fazer voÇe cambiar de opinião mais eu acho que voÇe escreve porque precisa e é um sonho para voÇe e todos nós estamos sempre ansiosos por ler porque adoramos o que voÇe escreve, então eu acho que não precisa excluir seu blog, eu não me importo esperar para voÇe postar porque sei que quando leia o capitulo vou ficar animada, voÇe faz a gente chorar, rir, sentir raiva, amor, pena, tanta coisa... por tudo isso merece a pena esperar. Eu só quero que voÇe pense bem sua decisão (e que perdoe meus erros porque eu só espanhola e ainda tó aprendendo portugues kkkk) um beijo e parabens por sua web que é ótima


  15. Aline, já li milhares de Web novelas, mas nenhuma delas é tão fantástica quanto a sua. Suas palavras dançam em nossas mentes,seus capítulos são envolventes e não conseguímos parar de ler.
    O fato de ver as pessoas reclamando aqui me deixou muito triste, pelo jeito devem achar que você fica com os pés em cima da mesa vendo televisão o dia todo, mas não, você trabalha, estuda e ainda faz outras tarefas de casa, apesar de querer muito, não pode postar todos os dias, pois tem compromissos.
    Não deixe essas pessoas influenciarem no blog, há muitas outras pessoas como eu, que amam esse blog e te adoram, por isso pense bem antes de tomar essa decisão.
    Nem que você poste somente uma vez por mês,não exclua o blog, ele é extremamente fabuloso e você também é.
    Aline, você tem um enorme talento, que é escrever então peço que continue a mostrá-lo para nós.

    2 beijos, Ass: Alexandra ^^


  16. Anônimo Says:

    Amei, amee, e amei...
    Não para, não para, não para

    =)


  17. Anônimo Says:

    E penssar que um sentimento de anssiedade mais a mesmo tempo um sentimento de que o cap 50 me toma agora,e sabe que daqui alguns dias esse lugar pode na existir mais...e se acabar...e depois? Seria o fim do mundo,mundo que a Aline compartilha,um mundo onde entrei anonimamente,e permaneço assim,agora apareci do nada,comentei so pra dizer:eu adoro ler seu blog,nao me importo com o tempo que leve para aparecer um novo capitulo,mais isso nao muda nada porque como voce disse os comentarios foram a gota d' agua.Mais se decidir que pode ser o melhor o fim,eu aceito,ou melhor sou contra,mais o que eu posso fazer? .Apoio todos que querem a continuaçao,mais quero o que faça o melhor pra voce.quem sabe,num futuro talvez nem tao proximo,eu ache um blog seu,o rcomeço de um um mundo talvez um diferente.Bom agora a unica coisa que posso fazer,e torce pra que tudo se acerte.Bom...e isso,pode nao parecer mais sempre vou estar aqui.

    Ranny(uma anonima de sempre)


  18. Anônimo Says:

    Amei este Post,Por favor,eu te peço não acaba com a WEB NOVELA.


  19. Anônimo Says:

    Aline, pense bastante na sua decisão por favor!
    A sua Web foi a melhor que eu já li! Olha que já vi muitas em!
    Seus textos farão muita falta aqui, sempre amei seus textos principalmente aqueles do acampamento, que o Diego faz de tudo para encontrar a Roberta, eram cenas tristes, mas ao mesmo tempo deixava a gente ansiosa(o) e com um sorrisinho bobo no rosto sem saber porque.
    Continua... (Bruna)


  20. Anônimo Says:

    (Continuação)
    Saiba que a gente não está te precionando em nada, se não puder postar todo o dia, tudo bem, poste uma vez por semana, uma vez por mês, por ano, sei lá, quando você puder, só não nos deixe sem os seus textos muito menos sem o seu blog.
    Sei que estou escrevendo um texto gigante aqui para um comentário mas é só para te dizer que sua Web e você farão muita falta para fãs de LuAr!
    Mas a decisão de parar ou continuar a web é sua então faça o que você achar melhor. (Bruna)


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